O GAC i60 deve chegar ao Brasil em 2026 com um número feito para chamar atenção: até 1.240 km de autonomia combinada. Mas esse dado precisa de contexto. A marca fala em ciclo chinês, que costuma ser mais otimista do que o uso real no Brasil e não deve ser lido como autonomia brasileira homologada.
Mesmo com esse cuidado, o recado é forte. O i60, também citado como Aion i60 em alguns mercados e publicações, coloca a GAC na briga dos SUVs com autonomia estendida, uma categoria que começa a ganhar peso no país porque tenta resolver uma dor clara do consumidor: rodar no dia a dia como elétrico, mas viajar sem depender tanto de carregador.
O que é o GAC i60 REEV
O GAC i60 usa uma arquitetura do tipo REEV, sigla para veículo elétrico com extensor de autonomia. Na prática, quem move as rodas é o motor elétrico. O motor a combustão trabalha como gerador de energia para alimentar a bateria quando necessário.
É diferente de um híbrido convencional, em que o motor a combustão pode participar diretamente da tração. No REEV, a sensação de uso tende a ficar mais próxima de um carro elétrico, com resposta imediata e funcionamento mais suave, enquanto o tanque entra como uma espécie de seguro para trajetos mais longos.
Segundo as informações divulgadas pela imprensa especializada, a versão REEV combina um motor 1.5 a combustão atuando como gerador com um motor elétrico responsável pela tração. O alcance em modo elétrico fica na casa de 200 km a 210 km, dependendo da referência e do ciclo usado na medição.
Os 1.240 km não são promessa para o Brasil
O ponto mais importante é não confundir o número global com o uso real por aqui. A autonomia combinada de até 1.240 km foi divulgada com base no ciclo chinês. Esse padrão de medição costuma gerar números mais altos do que testes mais próximos da rotina brasileira, com estrada, calor, ar-condicionado, relevo, peso e velocidade variando bastante.
Ou seja, o dado serve para mostrar o potencial da tecnologia, mas ainda não define quanto o GAC i60 vai rodar no Brasil depois de homologado. O mesmo vale para o alcance elétrico de cerca de 200 km ou 210 km, que também depende da versão, bateria, calibração e padrão de teste.
Ainda assim, se a GAC conseguir entregar uma autonomia elétrica forte para o uso urbano, o i60 pode fazer sentido para quem roda durante a semana sem gastar combustível e quer viajar sem planejar cada parada em carregador rápido.
Rival direto do Leapmotor C10
O alvo mais claro do GAC i60 no Brasil é o Leapmotor C10, outro SUV chinês que aposta em versões eletrificadas e também trabalha a ideia de autonomia estendida. Essa disputa mostra uma mudança importante no mercado brasileiro: a briga dos chineses não deve ser só por preço.
Agora entram no jogo autonomia, tecnologia embarcada, rede de assistência, confiança na marca e capacidade de atender um consumidor que ainda tem receio de depender 100% de recarga pública.
Para a GAC, o i60 pode funcionar como um produto estratégico. Ele não é apenas mais um SUV médio eletrificado. Ele é uma ponte entre o consumidor que gosta da ideia de carro elétrico e o consumidor que ainda quer a segurança de abastecer em viagem.
GAC prepara terreno com produção em Goiás
O lançamento do i60 também se conecta a um movimento maior da GAC no Brasil. A marca já prepara a chegada de novos modelos, incluindo o hatch elétrico Aion UT, e confirmou planos de produção local a partir de 2027.

A operação será feita em parceria com a HPE Automotores, na fábrica de Catalão, em Goiás. A capacidade inicial prevista é de cerca de 50 mil unidades por ano, segundo informações divulgadas sobre o acordo.
Esse detalhe muda o peso da estratégia. Produzir no Brasil pode ajudar a GAC a reduzir exposição cambial, adaptar produtos ao mercado local, desenvolver fornecedores e ganhar relevância em uma disputa que já tem BYD, GWM, Omoda Jaecoo, Leapmotor e outras marcas tentando ocupar espaço.
Por que esse tipo de SUV pode crescer no Brasil
O Brasil ainda tem uma infraestrutura de recarga desigual. Em grandes capitais, a vida com elétrico já é mais viável. Em cidades médias e viagens longas, a conta muda. É aí que os REEVs tentam encaixar uma proposta intermediária.
Para o motorista, a lógica é simples: usar eletricidade na maior parte da rotina e manter o motor gerador para situações em que o carregador não está disponível, está ocupado ou fica fora da rota. Isso reduz a ansiedade de autonomia sem abandonar a condução elétrica.
Mas o sucesso do GAC i60 ainda vai depender de pontos que a marca não confirmou totalmente para o Brasil. Preço, versões, equipamentos, garantia, consumo homologado, rede de concessionárias e custo de manutenção serão decisivos.
O que observar agora
Por enquanto, o GAC i60 é uma promessa relevante, mas ainda incompleta. O número de 1.240 km chama atenção, só que precisa ser tratado como referência do ciclo chinês, não como autonomia garantida no Brasil.
Se vier com bom pacote, preço competitivo e uma rede minimamente preparada, o SUV pode colocar a GAC em uma posição interessante na nova fase dos eletrificados. A disputa com o Leapmotor C10 será um bom termômetro para entender se o consumidor brasileiro está pronto para os elétricos com extensor de autonomia.
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