A Leapmotor vai mostrar o B10 híbrido ao público brasileiro no Festival Interlagos, marcado para o fim de agosto em São Paulo. A informação foi dada por Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, segundo a Autoesporte.
O modelo importa porque não é um híbrido comum. O B10 usa sistema REEV, sigla para Range-Extended Electric Vehicle. Na prática, ele roda sempre com tração elétrica, enquanto o motor a gasolina funciona como gerador para alimentar a bateria ou o motor elétrico quando necessário.
Essa solução coloca a Leapmotor em uma briga direta com SUVs eletrificados que já ganharam espaço no Brasil, incluindo BYD Song Pro. A diferença é que a marca chinesa controlada em parte pela Stellantis quer vender a ideia de um carro elétrico com alcance estendido, sem depender tanto de recarga pública.
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B10 híbrido será mostrado no Festival Interlagos
Segundo a Autoesporte, o Leapmotor B10 híbrido será apresentado no Festival Interlagos, no fim de agosto, em São Paulo. Depois da estreia ao público, a chegada às lojas passa a ser questão de tempo, embora preço, versões e data comercial final ainda não tenham sido confirmados.
O B10 já existe em versão elétrica no Brasil, mas a configuração híbrida REEV pode ser mais estratégica para o consumidor brasileiro. Isso porque ela reduz a dependência de uma rotina perfeita de recarga, ao mesmo tempo em que mantém a condução elétrica.
A proposta conversa bem com quem quer entrar no mundo dos eletrificados, mas ainda tem receio de ficar preso à infraestrutura de carregamento. Em vez de usar o motor a combustão para tracionar as rodas, o sistema usa gasolina para gerar energia.
Como funciona o sistema REEV
A mecânica do B10 híbrido combina um motor 1.5 aspirado a gasolina, que trabalha em ciclo Atkinson, com uma bateria de 18,8 kWh e um motor elétrico traseiro. De acordo com a Autoesporte, o motor a combustão entrega 88 cv e 12,7 kgfm, mas não move o carro diretamente.
Quem traciona as rodas é o motor elétrico, com 218 cv e 24,5 kgfm. Esse detalhe é essencial para não confundir o B10 com híbridos tradicionais ou plug-in convencionais. No REEV, o carro se comporta como elétrico na tração, enquanto o motor a gasolina atua como extensor de autonomia.
A Leapmotor divulga autonomia total de 900 km, somando bateria e tanque de gasolina. A autonomia elétrica informada é de 82 km no padrão WLTP. Como sempre, números de ciclo internacional não devem ser lidos como promessa exata para o uso brasileiro, mas ajudam a entender a proposta.
Na prática, trajetos curtos podem ser feitos no modo elétrico, enquanto viagens ou dias longos de uso contam com o apoio do gerador a gasolina. É uma solução de transição interessante para mercados onde o elétrico puro ainda enfrenta barreiras de recarga.
Rivalidade com BYD Song Pro é inevitável
A Autoesporte coloca o B10 híbrido no radar contra o BYD Song Pro. A comparação faz sentido porque ambos disputam consumidores interessados em SUV eletrificado, boa autonomia e custo de uso menor do que o de modelos a combustão equivalentes.
O B10 mede 4,51 metros de comprimento, 1,88 metro de largura, 1,65 metro de altura e 2,74 metros de entre-eixos. O BYD Song Pro citado pela fonte é maior em comprimento, com 4,73 metros, mas tem entre-eixos próximo, de 2,71 metros.
Em equipamentos, o B10 híbrido deve manter a base da versão elétrica, com faróis full LED, rodas de 18 polegadas, teto panorâmico, central multimídia de 14,6 polegadas, Apple CarPlay, Android Auto, sete airbags e pacote ADAS com controle de cruzeiro adaptativo, assistente de frenagem e alerta de mudança de faixa.
O preço será decisivo. Sem valor oficial, ainda não dá para cravar se a Leapmotor vai brigar por custo-benefício agressivo ou por uma proposta mais tecnológica. Mas a estratégia da Stellantis indica que o modelo não chega apenas para fazer figuração.
Goiana pode virar base dos chineses da Stellantis
A Stellantis também confirmou planos de produção ou montagem nacional para a Leapmotor em Goiana, Pernambuco. O Motor1 Brasil informou que os modelos elétricos da marca devem se juntar a Jeep e Ram na fábrica do grupo, embora ainda sem data definida e sem detalhes do método de produção.
A Autoesporte acrescenta que a Stellantis desenvolve localmente a tecnologia REEV flex para aplicação nas versões brasileiras dos SUVs. Esse ponto pode ser importante: se o sistema aceitar etanol ou gasolina, a proposta fica mais adaptada ao Brasil do que uma simples importação.
A leitura mais segura é que o B10 híbrido pode virar uma das apostas mais relevantes da Leapmotor no país. Ele combina formato de SUV, alcance longo, tração elétrica e apoio industrial da Stellantis.
Se a marca acertar preço, rede e oferta local, o B10 REEV pode incomodar mais do que parece. O mercado brasileiro já entendeu os híbridos plug-in. Agora vai começar a descobrir se o elétrico com extensor de autonomia também faz sentido por aqui.
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