“God’s Eye” será lançada em carros de R$ 50 mil e Waymo expande para 10 cidades — a revolução autônoma parou de ser promessa
Resumo: em fevereiro de 2025, a BYD anunciou que todos os seus carros — do compacto de R$ 50 mil ao SUV de luxo — passariam a ter direção autônoma de série, sob o sistema chamado God’s Eye. No mesmo período, a Waymo (Google) lançou sua 6ª geração de robotáxis e está hoje operando em 10 cidades americanas, com mais de 400 mil viagens por semana. O futuro sem motorista não é mais ficção científica — é produto em catálogo.
Durante anos, “carro autônomo” foi a promessa que nunca chegava — sempre a cinco anos de distância, sempre dependente de uma regulação que não saía do papel ou de uma IA que ainda não era boa o suficiente. Em 2025, dois eventos mudaram essa narrativa de vez. Do lado chinês, a BYD democratizou a tecnologia: ao invés de cobrar US$ 9 mil pelo pacote de autonomia (como faz a Tesla com o Full Self-Driving), a montadora simplesmente incluiu seu sistema de IA em todos os modelos, do mais barato ao mais caro, sem custo adicional. Do lado americano, a Waymo deixou de ser piloto e virou serviço — presente em 10 cidades, com frota operacional de mais de 3.000 veículos e uma 6ª geração de hardware chegando ao mercado.
E a pergunta que começa a fazer sentido para o público do EletroMob: quando isso chega ao Brasil?
“A direção autônoma avançada vai se tornar item obrigatório nos próximos dois a três anos — assim como o cinto de segurança ou o airbag.”
— Wang Chuanfu, CEO da BYD, no lançamento do God’s Eye, fevereiro de 2025
God’s Eye: quando a BYD decidiu que autonomia não pode ser privilégio
O God’s Eye não é um único sistema — é uma família de três versões, cada uma calibrada para uma faixa de preço de veículo. Na versão de entrada, o DiPilot 100, o carro recebe 12 câmeras, 5 radares de ondas milimétricas e 12 sensores ultrassônicos. Sem LiDAR, mas com 100 TOPS de poder computacional — o suficiente para manter faixa em rodovias, trocar de pista sozinho, frear de emergência a 100 km/h e estacionar de forma autônoma em vagas identificadas pelo sistema. Esse pacote vem de série no BYD Seagull, que na China custa o equivalente a cerca de R$ 50 mil.

Na versão intermediária, o DiPilot 300, entra um LiDAR e 300 TOPS — para modelos premium da marca, com navegação autônoma em vias urbanas. E no topo da pirâmide, o DiPilot 600, com 3 LiDARs e 600 TOPS, presente nos modelos de luxo da submarca Yangwang — capaz de operar em cenários complexos com zero intervenções por mais de 1.000 km em testes controlados. O detalhe que deixou a Tesla sem resposta: tudo isso é gratuito. Enquanto Elon Musk cobra R$ 50 mil pelo Full Self-Driving, a BYD inclui o equivalente de série no preço base.
🧠 Contexto: o God’s Eye usa a arquitetura Xuanji da BYD — descrita como “cérebro + rede neural do veículo” — integrada ao modelo de linguagem de IA do DeepSeek, a startup chinesa que abalou o Vale do Silício em janeiro de 2025. É a primeira vez que um modelo LLM de IA generativa é integrado diretamente à arquitetura eletrônica de um carro de produção em série.
🧿 BYD GOD’S EYE — AS TRÊS VERSÕES
Waymo 6ª geração: quando o robotáxi vira serviço de massa

Enquanto a BYD desce o preço da autonomia, a Waymo constrói escala operacional. Em fevereiro de 2026 — exatamente agora —, a empresa anunciou dois marcos simultâneos: o início das operações com sua 6ª geração de hardware (baseado no carro Ojai, construído sobre plataforma Geely) e a abertura do serviço para passageiros em Dallas, Houston, San Antonio e Orlando. Com isso, a Waymo opera agora em 10 cidades americanas e realiza mais de 400 mil viagens pagas por semana.
O novo sistema de 6ª geração usa uma câmera de 17 megapixels capaz de capturar milhões de pontos de dados por frame — e foi projetado com custo menor, para permitir escala industrial. A Waymo está montando esses veículos em sua fábrica na área metropolitana de Phoenix, com capacidade projetada para dezenas de milhares de unidades por ano. O objetivo é parar de depender de veículos base específicos e ter um sistema que se adapte a diferentes plataformas — o que permite expandir para SUVs, minivans ou caminhões leves no futuro.
Os números de segurança impressionam: a Waymo acumulou mais de 200 milhões de milhas autônomas sem motorista de segurança, com 6 vezes menos acidentes por milhão de milhas do que a média humana. Ao mesmo tempo, o serviço enfrenta críticas pontuais — em dezembro de 2025, durante uma queda de energia em São Francisco, veículos Waymo pararam no meio de vias e contribuíram para congestionamentos. A empresa respondeu ao Senado americano e afirma já ter corrigido o comportamento.
🚗 WAYMO — DA 1ª À 6ª GERAÇÃO E A EXPANSÃO DE 2026
E o Brasil? A promessa já foi feita — e tem endereço
Em julho de 2025, durante evento em Camaçari, a vice-presidente executiva da BYD, Stella Li, afirmou que o God’s Eye chegará ao Brasil “em breve”. A frase foi vaga — mas o contexto não: a fábrica da BYD em Camaçari está em operação, e os próximos lançamentos da marca no país (incluindo o novo Dolphin, Atto 8 e uma picape híbrida inédita) provavelmente já virão com versões mais avançadas do sistema embarcado. A questão não é se o sistema chega — é quando a legislação brasileira vai regulamentar o uso de direção autônoma em via pública.
O Brasil ainda não tem marco regulatório para veículos autônomos em nível SAE 3 ou superior. Hoje, os carros com sistemas ADAS avançados aqui vendem os recursos como “assistência ao motorista” — tecnicamente sob supervisão humana constante. Enquanto isso, na China já se circula com veículos L4 em zonas regulamentadas de 30 cidades, e nos EUA a Waymo acumula 200 milhões de milhas sem motorista. O gap regulatório é o maior obstáculo para o Brasil entrar nessa era — não a falta de tecnologia.
⚠️ Para saber: no Brasil, o Denatran/Senatran ainda não possui regulamentação específica para veículos com autonomia acima do Nível 2 (assistência com supervisão humana). O Contran tem estudos em andamento, mas sem previsão de publicação de norma. Na prática, carros com God’s Eye A e DiPilot 600 vendidos aqui teriam vários recursos desativados por restrição regulatória — até a norma avançar.
Fontes: BYD · Waymo · InsideEVs · CNBC · Gizmodo · PaulTan.org · CnEVPost · Poder360 · Mobiauto · Fev/2025–Fev/2026











