O Geely EX2 derrubou Tesla e BYD na China — agora o teste de verdade é o Brasil

Há títulos que parecem puro marketing, e há números que obrigam atenção. O Geely EX2, vendido na China como Xingyuan, fechou 2025 com 465.775 unidades no varejo local e terminou o ano à frente de nomes como Wuling Hongguang Mini EV, Tesla Model Y e BYD Seagull. Só esse dado já basta para transformar o compacto em assunto sério. E é justamente com esse currículo que ele chega ao Brasil.

Mas o texto precisa começar com um cuidado que o leitor do EletroMob valoriza: uma coisa é dizer que o EX2 foi o carro de passeio mais vendido da China em 2025. Outra é repetir sem filtro que ele já é “o elétrico compacto mais vendido do mundo”. A primeira afirmação está bem amarrada. A segunda depende da segmentação usada pela própria Geely para os segmentos A/B. Em outras palavras, o sucesso do carro é real. O que muda é o tamanho exato do título que se quer pendurar nele.

O Geely EX2 chega ao Brasil carregando o peso de ter liderado as vendas no maior mercado automotivo do mundo. Crédito: Geely/Divulgação

O que o EX2 realmente fez na China

O feito central do modelo é menos discutível do que o slogan sugere. O Xingyuan, nome chinês do EX2, terminou 2025 como o carro de passeio mais vendido da China no varejo, com 465.775 unidades. Isso significa superar não apenas elétricos de entrada, mas também pesos-pesados de apelo global como Tesla Model Y e BYD Seagull. Para uma marca que ainda tenta consolidar presença fora da China, esse tipo de número vale mais do que qualquer campanha publicitária.

A própria Geely também informou que o modelo superou 530 mil unidades acumuladas em 2025 e o tratou como um dos pilares do salto de sua linha de veículos eletrificados. O que isso mostra, na prática, é que o EX2 não é um sucesso de nicho ou um fenômeno de um mês. Ele virou um produto de escala. E é justamente por isso que sua chegada ao Brasil merece leitura além do release: quando um carro vende nesse nível no maior mercado automotivo do planeta, ele passa a merecer atenção também como estratégia.

O peso do título quando ele chega ao Brasil

No Brasil, o EX2 entra em um dos pontos mais sensíveis da eletromobilidade: o carro elétrico que precisa ser racional, e não apenas interessante. Não basta ter design simpático ou boa tela. Ele precisa fazer sentido na conta, na garagem e no trajeto diário. A Geely entendeu isso e trouxe um pacote técnico pensado para brigar no miolo do mercado, onde hoje a comparação com BYD Dolphin Mini e outros compactos elétricos acontece sem muita paciência para firula.

Os números locais ajudam a explicar essa aposta. O EX2 parte hoje de R$ 123.800 na versão Pro e vai a R$ 136.800 na Max. A autonomia homologada é de 289 km no ciclo Inmetro, com bateria LFP de 39,4 kWh, recarga rápida de 30% a 80% em 21 minutos em DC de até 70 kW e motor traseiro de 116 cv. Não é a ficha que mais impressiona em um único item isolado. O trunfo está no conjunto.

Interior do Geely EX2 com painel digital e central multimídia
O interior aposta em tela central de 14,6″, painel de 8,8″ e apresentação mais sofisticada do que o preço sugere. Crédito: Geely/Divulgação

Por que ele merece atenção por aqui

O EX2 não tenta vencer apenas no preço. Ele tenta parecer um carro mais completo do que a etiqueta indica. Tem tração traseira, suspensão independente nas quatro rodas, entre-eixos de 2,65 m, porta-malas de 375 litros, frunk de 70 litros e, na versão Max, pacote ADAS com ACC, frenagem automática de emergência e alerta de mudança de faixa. É uma receita que conversa com um público que quer elétrico acessível, mas já cansou de aceitar acabamento pobre e projeto simplificado demais.

Também ajuda o fato de a Geely usar um argumento objetivo: segundo a própria marca, com base nos dados do Inmetro, o EX2 é o carro com melhor eficiência energética por quilômetro rodado no mercado brasileiro, com 0,39 MJ/km. Esse tipo de informação pesa porque desloca a conversa do marketing para o custo real de uso. E o mercado respondeu rápido. Em 2025, mesmo com apenas dois meses de vendas, o EX2 já terminou como o sétimo BEV mais vendido do Brasil. Em janeiro de 2026, apareceu como o terceiro elétrico mais vendido do país, com 1.124 unidades.

É aí que a matéria fica mais interessante. O EX2 não chega ao Brasil apenas com a fama de best-seller chinês. Ele chega já mostrando que pode virar problema real para as líderes estabelecidas do segmento. Ainda não dá para tratá-lo como fenômeno consolidado por aqui, mas já está claro que a Geely acertou em um ponto importante: trouxe um elétrico que não depende só da novidade para chamar atenção. Ele entra na disputa porque, goste-se ou não do título global, o produto parece competitivo de verdade.

Ficha técnica

Modelo: Geely EX2 Pro / EX2 Max
Segmento: hatch elétrico compacto
Comprimento: 4.135 mm
Largura: 1.805 mm
Altura: 1.580 mm
Entre-eixos: 2.650 mm
Porta-malas traseiro: 375 litros
Porta-malas dianteiro: 70 litros
Motor: elétrico síncrono de ímã permanente
Potência: 116 cv
Torque: 150 Nm
Tração: traseira
Velocidade máxima: 140 km/h
0 a 100 km/h: 10,2 s
Bateria: LFP de 39,4 kWh
Autonomia: 289 km no ciclo Inmetro / 410 km no ciclo CLTC
Recarga AC: 6,6 kW
Recarga DC: até 70 kW
Tempo de recarga AC: 10% a 100% em 6,5 horas
Tempo de recarga DC: 30% a 80% em 21 minutos
Garantia da bateria: 8 anos ou 150.000 km
Garantia do veículo: 6 anos ou 150.000 km
Preço oficial: R$ 123.800 (Pro) e R$ 136.800 (Max)

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