Em um único mês, quase 24 mil carros eletrificados foram emplacados no país — e a virada histórica que ninguém esperava tão cedo já aconteceu.
Brasil ultrapassa 10% de elétricos no mercado em janeiro de 2026 — e o Nordeste virou a segunda maior região vendedora
Resumo: janeiro de 2026 entrou para a história da mobilidade elétrica no Brasil. Foram 23.706 veículos eletrificados emplacados em 31 dias — alta de 88% sobre janeiro de 2025. Os plug-ins (BEV + PHEV) ultrapassaram pela primeira vez os 10% de participação no mercado de leves. O Nordeste, com 4.465 unidades, superou o Sul. E a China dominou o ranking dos mais vendidos. O que antes parecia meta distante agora é realidade nos emplacamentos.
Janeiro de 2026 entrou para a história da mobilidade no Brasil. Pela primeira vez, os carros com tomada — elétricos puros e híbridos plug-in — superaram a barreira dos 10% de participação de mercado, uma marca que especialistas acreditavam que só chegaria em anos. O número não é projeção nem meta: está nos emplacamentos reais registrados em apenas 31 dias. Foram 23.706 veículos eletrificados vendidos, crescimento de 88% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os plug-ins (BEV + PHEV) atingiram 10% de market share sozinhos. Somando híbridos convencionais e HEV Flex, o total chega a 15% de todos os carros leves vendidos no país.
“Os veículos eletrificados deixaram de ser um nicho para ocupar um espaço cada vez mais relevante no mercado automotivo brasileiro.”
— Ricardo Bastos, presidente da ABVE
Os números que mudam tudo
O levantamento mensal da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) inclui todas as categorias: elétricos a bateria (BEV), híbridos plug-in (PHEV), híbridos convencionais (HEV) e híbridos flex (HEV Flex). Juntos, eles representaram 15% de todos os 162.484 veículos leves vendidos em janeiro. O destaque entre os segmentos foi o HEV Flex — tecnologia exclusivamente brasileira que combina motor híbrido com etanol —, que explodiu com crescimento de +467% em relação a janeiro de 2025. Para muitos brasileiros, o flex-híbrido está se tornando a porta de entrada perfeita para a eletrificação sem abandono da infraestrutura já existente de postos de abastecimento.
📊 Janeiro de 2026 em quatro números: 23.706 eletrificados vendidos · crescimento de +88% sobre jan/2025 · 15% de participação no mercado de leves · 10% de plug-ins (BEV + PHEV) — pela primeira vez em dois dígitos na história do Brasil.
📈 JANEIRO DE 2026 EM NÚMEROS — ABVE
A China tomou as ruas — e já monta carros em Camaçari

Não é coincidência que a liderança das vendas de elétricos puros em janeiro tenha ficado com a BYD. O Dolphin Mini manteve o topo pelo segundo mês consecutivo, seguido pelo Dolphin. Logo atrás, o Geely EX2 superou mil unidades pelo segundo mês seguido, consolidando-se como forte alternativa no segmento compacto urbano. O movimento chinês vai além das importações: a BYD já está produzindo em solo brasileiro, na fábrica de Camaçari (BA) — a mesma que a Ford fechou em 2021 e que agora monta elétricos gerando empregos no Nordeste.
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🏆 RANKING BEV — MAIS VENDIDOS EM JANEIRO/2026
Nordeste supera o Sul — e isso diz muito sobre o Brasil
Uma das maiores surpresas dos dados de janeiro foi a posição do Nordeste: com 4.465 unidades vendidas, a região ficou na segunda colocação nacional, ultrapassando o Sul (4.032 unidades). Isso indica que a eletromobilidade já não é um fenômeno restrito ao eixo Rio-São Paulo. A presença da fábrica da BYD em Camaçari certamente contribui para esse resultado, mas o fenômeno vai além — o consumidor nordestino encontrou no elétrico uma conta que fecha, especialmente em cidades quentes onde ar-condicionado roda 100% do tempo e o combustível pesa mais no orçamento.
A região Norte ainda patina: apenas 829 carros, 3,5% do total. Os obstáculos são conhecidos — distâncias continentais, infraestrutura de recarga escassa e logística cara. O desafio passa, inevitavelmente, por políticas públicas específicas para essas regiões. Mas o sinal geral é claro: o elétrico está se interiorizando no Brasil mais rápido do que as projeções indicavam.
O que explica esse boom — e o que vem a seguir
A resposta está em uma combinação de fatores que se reforçam mutuamente. O portfólio de modelos cresceu muito — há opções desde compactos abaixo de R$ 120 mil até SUVs premium acima de R$ 500 mil. A rede de carregadores se expandiu nas grandes cidades. E o consumidor está cada vez mais familiarizado com a tecnologia — especialmente quem andou num Dolphin pelo app e decidiu comprar um.
Desde 2021, o Brasil acumulou 410.446 veículos elétricos (BEV e PHEV) vendidos. Considerando todos os eletrificados desde 2012, o total chega a 645.406 unidades. A frota ativa já ultrapassa 600 mil veículos nas estradas brasileiras. Se o ritmo de janeiro se mantiver, 2026 pode encerrar com a eletrificação cravada de vez como parte essencial do mercado automotivo — não mais como curiosidade tecnológica, mas como escolha racional de milhões de consumidores. A conta já fecha para o motorista de app, para a locadora e, cada vez mais, para quem roda mais de 1.500 km por mês.
🏭 Frota acumulada no Brasil: desde 2021, são 410.446 BEV e PHEV vendidos. Somando todos os eletrificados desde 2012, o total chega a 645.406 unidades — com frota ativa já superior a 600 mil veículos nas estradas.
Fontes: ABVE · K.Lume Consulting · Bright Consulting · Autoo · Rádio Itatiaia · Canal VE · Webmotors · Jan/2026












Um comentário
Que cresça mais. O Brasil precisa se libertar do petróleo