Quatro meses depois, a marca já tem três modelos à venda, mais de 1.200 unidades emplacadas
A Leapmotor chegou ao Brasil em novembro de 2025 com uma proposta diferente das outras marcas chinesas que desembarcaram por aqui nos últimos anos. Em vez de vir sozinha e construir rede do zero, chegou já dentro do maior grupo automotivo do país — a Stellantis — com 36 concessionárias operando desde o primeiro dia.
Quatro meses depois, a marca já tem três modelos à venda, mais de 1.200 unidades emplacadas e uma revelação interessante sobre o comportamento do comprador brasileiro. Além disso, a produção nacional confirmada em Goiana (PE) e dois novos modelos no horizonte completam um cenário que vale acompanhar de perto.
Vamos ao balanço.

O C10 e a resposta do mercado
O C10 foi o modelo de estreia — e trouxe junto uma das tecnologias mais interessantes disponíveis no Brasil hoje: o sistema REEV (Range Extended Electric Vehicle). Diferente de um híbrido plug-in convencional, no REEV o carro é sempre movido pelo motor elétrico. O motor a combustão 1.5 aspirado que acompanha a versão Ultra-Híbrida nunca toca nas rodas — sua única função é gerar energia para carregar a bateria em movimento.
O resultado prático é uma autonomia combinada de até 950 km (ciclo WLTP), com toda a experiência de direção de um elétrico puro. Quando a bateria está cheia, o carro roda em modo 100% elétrico por até 110 km. Depois, o gerador entra em ação e o tanque de 50 litros cuida do resto.
A pergunta que a Leapmotor (e o mercado) queria responder era: com dois modelos do C10 disponíveis — o BEV a R$ 204.990 e o REEV a R$ 219.990 — qual o brasileiro escolhe? Os dados de janeiro de 2026 responderam com clareza: 92% das 442 unidades emplacadas foram da versão REEV. Apenas 34 compradores optaram pelo elétrico puro.
A interpretação mais simples é que, a R$ 219.990, o comprador brasileiro ainda quer a segurança de poder abastecer em qualquer posto — mesmo que na prática nunca precise. A infraestrutura de recarga ainda gera dúvida suficiente para justificar os R$ 15 mil a mais. Um dado relevante para qualquer fabricante pensando em lançar elétricos puros no segmento de R$ 200 mil+.
O C10 em números
- C10 BEV — R$ 204.990: motor elétrico 218 cv / 32,6 kgfm, bateria 69,9 kWh, autonomia 338 km (Inmetro) / ~420 km (WLTP), recarga DC até 84 kW, porta-malas 517 L + frunk 32 L
- C10 REEV — R$ 219.990: motor elétrico 215 cv / 32,6 kgfm, bateria 28,4 kWh + gerador 1.5, autonomia elétrica 110 km (Inmetro) / combinada até 950 km (WLTP), tanque 50 L, porta-malas 450 L
- Equipamentos de série em ambas: 7 airbags (incluindo airbag central entre bancos), tela 14,6″, ADAS Leap Pilot completo, teto solar panorâmico, câmera 360°, som 840W / 12 alto-falantes, ar digital dual zone, rodas aro 20, maçanetas retráteis, wallbox 11 kW incluso no BEV
- Dimensões: 4,74 m × 1,90 m × 1,68 m, entre-eixos 2,82 m
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O B10: o elétrico que chegou para ser o carro de volume
Com as primeiras entregas iniciadas em janeiro de 2026, o B10 é o segundo modelo da marca no Brasil e o que a Leapmotor aposta como principal gerador de volume. Com R$ 182.990, entra em uma faixa de preço mais agressiva — abaixo do C10 e competindo diretamente com BYD Yuan Pro, Geely EX5 e outros SUVs elétricos médios.
Tecnicamente, o B10 tem credenciais sólidas para a categoria. A bateria de 56,2 kWh alimenta um motor elétrico traseiro de 218 cv — tração traseira, o que já é um diferencial de condução em relação à maioria dos elétricos populares. A autonomia estimada fica em torno de 400 km pelo ciclo europeu. A recarga em DC chega a 168 kW, permitindo recuperar 30 a 80% da bateria em menos de 20 minutos.
Um iten que chamam atenção no B10 é o sensor instalado no teto que alimenta 26 funções de condução assistida, incluindo estacionamento autônomo. É tecnologia que aparece em carros significativamente mais caros no mercado brasileiro. O interior segue o padrão Leapmotor: tela central de 14,6″, painel digital de 8,8″, bancos aquecidos e ventilados, teto panorâmico, câmera 360° e som com 12 alto-falantes.
Ficha técnica — B10
- Motor: elétrico traseiro 218 cv / 24,5 kgfm
- Bateria: 56,2 kWh
- Autonomia: 288 km (PBEV/Inmetro) / até 361 km (WLTP)
- Recarga DC: até 168 kW (30–80% em menos de 20 min)
- 0–100 km/h: 8,0 s
- Velocidade máxima: 170 km/h
- Dimensões: 4,51 m × 1,88 m × 1,65 m, entre-eixos 2,73 m
- Porta-malas: 430 L
- Preço: R$ 182.990
O que diferencia a Leapmotor das outras marcas chinesas
Há algumas marcas chinesas no Brasil que chegaram, abriram concessionárias próprias do zero e levaram meses para construir rede e pós-venda. A Leapmotor adotou uma estratégia diferente — e potencialmente mais eficaz no curto prazo.
Todas as 36 concessionárias da marca no Brasil já eram parceiras da Stellantis antes do lançamento. Técnicos treinados, sistemas de gestão conhecidos, estoques de peças compartilhados com a rede Mopar (que opera com mais de 10 milhões de peças em cinco armazéns na América do Sul). O argumento de pós-venda que trava muita decisão de compra em marcas desconhecidas chegou mais resolvido do que o habitual.
A isso se somam os parceiros de recarga integrados desde o lançamento: WEG fornecendo wallboxes homologados, GreenV fazendo instalação residencial com vouchers de desconto, Zletric com recarga gratuita nas estações públicas para membros do programa de fidelidade, e acesso aos pontos de carga via app Leap+. São itens que outras marcas ainda estão construindo.
Internamente, a Leapmotor também tem uma vantagem técnica relevante: desenvolve in-house seus motores, baterias, software e sistemas de condução autônoma. A plataforma LEAP 3.5 centraliza hardware e software num único domínio, reduzindo peso e complexidade — e permitindo atualizações over-the-air contínuas.
O que vem a seguir: produção nacional e novos modelos
A Leapmotor confirmou que iniciará a produção de veículos no Brasil em 2026, na planta da Stellantis em Goiana (PE) — a mesma fábrica que hoje produz Jeep Compass, Renegade e Fiat Toro. O anúncio foi feito pelo presidente da Stellantis na América do Sul, Herlander Zola, durante o Salão do Automóvel de São Paulo. Não há confirmação de qual modelo será o primeiro a ser montado localmente.
No portfólio, dois modelos estão no horizonte para 2026. O C16 é o próximo confirmado: SUV de seis lugares baseado na plataforma do C10, com versões elétrica (288 cv, 67,7 kWh) e REEV (autonomia acima de 1.000 km no ciclo NEDC). Globalmente, a Leapmotor também registrou no MIIT chinês um novo modelo compacto identificado como A10 ou B03X — que, caso venha ao Brasil, disputaria a faixa de R$ 150–170 mil com BYD Dolphin Mini e similares.
No plano global, os números mostram uma empresa em expansão acelerada: 596.555 unidades entregues em 2025, alta de 103% sobre 2024. A FAW — estatal chinesa dona de marcas como FAW-Volkswagen — adquiriu 5% das ações da Leapmotor em dezembro de 2025 por cerca de US$ 530 milhões, reforçando a capitalização da empresa para os planos de 2026.

O que o leitor do EletroMob precisa saber
A Leapmotor ainda é nova demais para ter um histórico de longo prazo no Brasil. Quatro meses de operação e 1.200 unidades não dizem muita coisa sobre durabilidade, suporte ou satisfação do dono depois de dois anos de uso. Esse é o ponto que qualquer comprador consciente precisa manter no radar.
O que os dados já mostram: a estratégia de entrar com o guarda-chuva da Stellantis funcionou para reduzir a fricção inicial. O REEV provou ser o produto certo para o momento do mercado brasileiro. E o B10, com 218 cv, e R$ 182.990, colocou um nível de equipamento difícil de encontrar na faixa.
A produção nacional em Goiana, se confirmada ainda em 2026, será o próximo passo importante — tanto para o preço final ao consumidor quanto para a credibilidade da marca no longo prazo.
Resumo da linha atual
- C10 BEV — R$ 204.990: SUV grande, 100% elétrico, 218 cv, 338 km (Inmetro),
- C10 REEV — R$ 219.990: SUV grande, elétrico com gerador 1.5, ~950 km combinado
- B10 — R$ 182.990: SUV médio, 100% elétrico, 218 cv, 288 km (Inmetro),
- Garantia: 4 anos em todos os modelos
- Rede: 36 concessionárias em 29 cidades











