A Leapmotor tem dado passos rápidos no Brasil
Em novembro de 2025, estreou com o C10 — SUV grande elétrico e ultra-híbrido entre R$ 190 mil e R$ 200 mil. Em janeiro deste ano, chegou o B10, SUV compacto por R$ 182.990 com 218 cv, tração traseira e 288 km de autonomia Inmetro. Agora, a marca sinaliza o próximo movimento: o B05, um hatchback elétrico compacto que já foi lançado na China e figura nos planos de expansão global da empresa para 2026.
Na China, onde é vendido com o nome Lafa5, o B05 chegou ao mercado em novembro de 2025 com cinco versões, motor traseiro e baterias de 56,2 kWh ou 67,1 kWh. A apresentação global aconteceu no Salão de Munique, em setembro de 2025, e a Leapmotor deixou claro que o modelo não é apenas para o mercado doméstico: é a aposta da marca no segmento de hatches elétricos acessíveis no mundo inteiro — incluindo, em algum momento, o Brasil.

O que é o B05 — e o que ele entrega de técnico
O B05 é um hatchback com 4,43 m de comprimento, 1,88 m de largura e 1,52 m de altura, com entre-eixos de 2,735 m. Para efeito de comparação: o Leapmotor B10 que já está no Brasil mede 4,51 m de comprimento e 2,735 m de entre-eixos — ou seja, o B05 é um pouco mais curto, mas igualmente largo e com o mesmo entre-eixos, o que significa habitáculo com espaço equivalente.
A plataforma é a LEAP 3.5 — a mesma base usada no B10. O motor elétrico traseiro tem duas opções de potência na versão chinesa: 132 kW (179 cv) na configuração de entrada e 160 kW (218 cv) nas versões superiores. No Brasil, o B10 já chegou com a versão de 218 cv — o que sugere que, caso o B05 venha ao mercado nacional, a configuração mais potente seria a candidata natural. A velocidade máxima é limitada eletronicamente a 170 km/h, mesmo teto do B10.
As baterias são de 56,2 kWh ou 67,1 kWh. Na China, o ciclo CLTC aponta 515 km e 605 km de autonomia, respectivamente — ciclo esse que tende a ser otimista. O Inmetro é mais rigoroso: o B10, com a mesma bateria de 56,2 kWh, obteve 288 km no ciclo nacional. É razoável esperar número semelhante para o B05 com a mesma bateria — e uma autonomia superior a 340 km para a versão de 67,1 kWh, caso venha ao Brasil nessa configuração. Ambas as versões suportam recarga rápida DC, com carga de 20% a 80% em torno de 25 minutos.

Design e interior: portas sem moldura num hatch acessível
O B05 chama atenção por um detalhe incomum para o segmento: portas sem moldura — o tipo de acabamento normalmente reservado a cupês e sedãs de categorias superiores. Combinadas com rodas de liga leve de 19 polegadas e a linguagem visual “Tech-Nature Aesthetic” já inaugurada no B10, o hatch projeta uma silhueta mais esportiva e premium do que a faixa de preço costuma entregar.
Por dentro, o painel combina tela digital de 8,8 polegadas para o quadro de instrumentos com central multimídia de 14,6 polegadas em resolução 2.5K. O sistema operacional é o Leapmotor OS 4.0 Plus, baseado no chip Qualcomm 8295P — mesmo processador usado em modelos premium de outras marcas. O B05 também traz câmera 360°, pacote completo de ADAS, frenagem autônoma, assistente de ponto cego e piloto semiautônomo. O banco traseiro acomoda três passageiros graças ao entre-eixos amplo para o segmento.
A estratégia da Leapmotor no Brasil — e onde o B05 se encaixa
Entender o B05 no contexto brasileiro exige olhar para a estratégia maior da Leapmotor no país. A marca chegou respaldada pela estrutura da Stellantis: 36 concessionárias em operação desde o lançamento, parceiros de recarga como WEG e Zletric, e a confirmação — feita publicamente pelo presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, no Salão do Automóvel de São Paulo — de que veículos da Leapmotor serão produzidos no Polo Automotivo de Goiana (PE) a partir de 2026. O primeiro modelo a ser nacionalizado deve ser o C10.
No portfólio atual da Leapmotor no Brasil, há dois SUVs: o C10 (R$ 190 mil / R$ 200 mil) e o B10 (R$ 182.990). Um hatch compacto como o B05 preencheria um segmento ainda sem representante da marca — e potencialmente com um preço abaixo do B10, o que abriria a Leapmotor para uma faixa de compradores até aqui sem opção elétrica da marca. Na Europa, onde o modelo será lançado em 2026, a expectativa é que o preço fique abaixo dos 29.900 euros cobrados pelo B10 no continente. No Brasil, levando em conta o padrão de precificação local e os impostos de importação — que caminham para o teto de 35% em julho de 2026 —, o valor deve superar R$ 160 mil, sem uma projeção mais precisa até que haja confirmação oficial.
Há um fator adicional que pode influenciar diretamente o preço e a data de chegada: a possibilidade de produção local. A Stellantis não confirmou o B05 para Goiana, mas o plano da planta prevê a chegada de seis novos produtos até 2030 — e um hatch elétrico compacto produzido no Nordeste estaria bem posicionado para contornar as barreiras tarifárias que penalizam modelos importados da China.

O que ainda não se sabe — e o que observar
A Leapmotor não confirmou o B05 para o Brasil. O que existe é o lançamento chinês, a estreia europeia programada para 2026 e o histórico da marca de trazer modelos ao mercado nacional com rapidez depois de consolida-los em outros mercados — o B10 chegou ao Brasil menos de um ano depois de sua apresentação global.
Os pontos a monitorar são três. Primeiro, o desempenho de vendas do B10 no Brasil: se o SUV compacto confirmar boa aceitação, a Leapmotor tem argumento para trazer o B05 como complemento de portfólio, não substituto. Segundo, o avanço do cronograma de Goiana: se a produção local do C10 for confirmada para 2026 conforme previsto, o B05 passa a ser candidato natural para a segunda onda de nacionalização. Terceiro, a versão REEV — o sistema ultra-híbrido que já existe no C10 e foi anunciado para o B10. Se o B05 vier ao Brasil, a pergunta é se chegaria apenas como elétrico puro ou se uma versão com extensor de autonomia viria junto, especialmente diante das preocupações dos brasileiros com infraestrutura de recarga fora dos grandes centros.
O que o B05 representa, independentemente de quando chega, é a direção que a Leapmotor quer tomar: cobrir cada faixa do mercado eletrificado com um produto próprio, do hatch compacto ao SUV de luxo. No Brasil, onde o segmento de hatches elétricos ainda não tem um representante popular de verdade, esse espaço está em aberto — e a Leapmotor já tem a estrutura para preenchê-lo.











