Geely supera BYD e lidera vendas na China no início de 2026 — e o que isso significa para o mercado global

A BYD reinou no mercado automotivo chinês por anos. Mas nos dois primeiros meses de 2026, a Geely assumiu a liderança

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E os números são expressivos. A montadora de Hangzhou entregou 476.327 veículos em janeiro e fevereiro, alta de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior. A BYD, por sua vez, registrou 400.241 unidades no mesmo intervalo, queda de 38,5%. A diferença: mais de 76 mil veículos.

Os dados foram divulgados pela própria Geely e confirmados pelo South China Morning Post. É a primeira vez em anos que a fabricante chinesa de múltiplas marcas desbanca a BYD na liderança do mercado doméstico.

Os números mês a mês

Em janeiro, a Geely registrou 270.167 veículos vendidos no atacado, alta de 1,3% na comparação anual. A BYD ficou com 205.518 unidades — sendo 100.482 destinadas à exportação, o que significa que as vendas domésticas da empresa ficaram em torno de 105 mil unidades. No varejo de veículos de passeio, a distância foi ainda maior: a Geely somou 210 mil unidades contra 94 mil da BYD, queda de mais de 53% na comparação com janeiro de 2025. Foram dados compilados pela Associação de Carros de Passeio da China (CPCA) e pelo portal especializado CarNewsChina.

Em fevereiro, a BYD recuperou parte do terreno no segmento específico de veículos de nova energia (NEVs): liderou o varejo de elétricos e híbridos plug-in com 88.697 unidades e participação de 19,1%, à frente da Geely, que ficou em segundo com 76.636 unidades e 16,5%. No acumulado de janeiro e fevereiro, porém, a BYD somou 182.873 unidades de NEVs contra 168.771 da Geely — uma diferença de apenas 14.100 unidades, margem historicamente estreita entre as duas.

Por que a BYD caiu?

BYD Seagull 2026, versão chinesa do Dolphin Mini, um dos modelos mais vendidos da BYD globalmente

A queda da BYD não é acidente nem anomalia: tem causa estrutural. No fim de 2025, o governo chinês encerrou a isenção total do imposto de compra de veículos de nova energia, que vigorou por mais de uma década. A partir de janeiro de 2026, o tributo voltou a ser cobrado, inicialmente à metade da alíquota original (5%). A previsão é que o imposto pleno seja retomado após 2027. O efeito imediato foi um forte avanço das vendas em dezembro de 2025 — consumidores anteciparam compras para aproveitar a isenção — seguido de uma contração acentuada já em janeiro.

Além do fator fiscal, a BYD enfrenta competição interna crescente. Em 2025, quase 400 modelos de veículos elétricos estavam à venda na China, mais que o dobro do registrado em 2019, segundo a consultoria JATO. A Aito (parceria Huawei), a Leapmotor, a NIO e a própria Geely vêm conquistando espaço com modelos tecnologicamente atualizados e preços agressivos. O CEO da BYD, Wang Chuanfu, reconheceu em reunião com investidores em dezembro de 2025 que a vantagem tecnológica da empresa nos anos anteriores havia diminuído.

Outro dado relevante: pela primeira vez, as exportações da BYD superaram as vendas domésticas em fevereiro de 2026. A montadora enviou cerca de 100 mil unidades ao exterior no mês, enquanto as vendas internas ficaram em aproximadamente 89 a 90 mil. A empresa declarou meta de 1,3 milhão de unidades exportadas em 2026, alta de 24% sobre 2025.

A estratégia “One Geely” que mudou o jogo

Zeekr 7X 2026, marca premium elétrica do Grupo Geely, que registrou crescimento próximo a 100% em dezembro de 2025

O avanço da Geely não foi construído em um único mês. A companhia atribui o resultado à estratégia “One Geely”, que integra um portfólio diversificado com marcas, tecnologias e segmentos distintos operando de forma coordenada. Em 2025, a receita do grupo cresceu 27% no primeiro semestre, para 150,3 bilhões de yuans, enquanto as entregas avançaram 47% no período. O ano todo fechou com 3,02 milhões de unidades vendidas, alta de 39% — e 1,69 milhão de NEVs, crescimento de 90% e novo recorde histórico.

O pilar mais dinâmico da Geely é a linha Galaxy, voltada para veículos eletrificados de preço acessível. Em 2025, a Galaxy atingiu 1,235 milhão de unidades vendidas — crescimento de 150% —, tornando-se a marca NEV mais rápida a atingir o marco de 1 milhão de unidades em apenas 29 meses. O Galaxy Starship 7, SUV compacto vendido entre 100 mil e 150 mil yuans, foi um dos modelos mais populares: equipa o sistema híbrido NordThor EM-i (o mesmo do Geely EX5 que chega ao Brasil) e a Geely declara eficiência térmica de 46,5% para o motor, acima dos 46% atribuídos ao sistema DM-i 5.0 da BYD.

No segmento premium, a Zeekr — que concluiu fusão de volta ao Grupo Geely em dezembro de 2025 — entregou 23.852 unidades em janeiro de 2026, quase o dobro da comparação anual, embora 21% abaixo de dezembro. Nas exportações, a Geely embarcou 60.506 unidades em janeiro e 60.800 em fevereiro — crescimento de 121% no primeiro mês na comparação anual. A marca Lynk & Co contribuiu com 28.800 unidades em janeiro.

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Comparação metodológica: como ler os números

Um detalhe importante para interpretar os dados: a Geely e a BYD usam métricas diferentes. A Geely reporta o portfólio completo de veículos de passeio — incluindo modelos a combustão, híbridos e elétricos puros. A BYD, desde que encerrou a produção de veículos puramente a combustão em 2022, reporta exclusivamente veículos de nova energia (NEVs). No segmento específico de NEVs no varejo, a BYD ainda liderou o bimestre com 182.873 unidades contra 168.771 da Geely — uma vantagem de 8,3%. A liderança geral da Geely se sustenta pelo volume adicional de seus modelos ICE e híbridos não plug-in, além das exportações contabilizadas em conjunto.

Em março de 2026, a Geely apresentou resultados financeiros anuais e formalizou a meta de se tornar a montadora mais vendida da China em 2026. O objetivo interno é alcançar 3,45 milhões de unidades globais, com 2,22 milhões de NEVs — crescimento de 32% sobre 2025. Para ultrapassar a BYD no mercado doméstico, precisaria superar os 3,55 milhões de unidades vendidas pela rival no país em 2025.

O que isso significa para o Brasil

A disputa que se acirra na China tem reflexos diretos no Brasil. A Geely chegou ao mercado nacional em 2024 com o EX5 elétrico e o EX2, e projeta produção nacional em São José dos Pinhais (PR) para o segundo semestre de 2026, em parceria com a Renault na fábrica do Complexo Ayrton Senna. O EX5 EM-i, versão híbrida plug-in com o sistema NordThor, deve chegar ainda no primeiro semestre de 2026. A BYD, por sua vez, produz o Dolphin Mini e o Song Pro em Camaçari (BA) e acelera o portfólio com o Song Plus 2027, o Atto 8 e planos de um híbrido flex para o hatch compacto.

O que o cenário chinês indica é que a disputa entre as duas fabricantes não se resolve apenas pelo preço ou pelo volume: passa pela velocidade de atualização de produtos, pela diversificação de portfólio e pela capacidade de se adaptar a mudanças regulatórias. No Brasil, ambas as marcas competem sob o mesmo pressuposto — e o consumidor, nos próximos meses, terá mais opções e mais tecnologia por faixa de preço do que em qualquer momento anterior.

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