A Geely confirmou o EX5 EM-i para o primeiro semestre de 2026: híbrido plug-in com 120 km de autonomia elétrica, 1.420 km no total, motor 1.5 + elétrico de 238 cv e produção nacional confirmada na fábrica da Renault em São José dos Pinhais, no Paraná. O BYD Song Plus e o GWM Haval H6 têm um problema novo.
A Geely entrou no Brasil em 2025 com dois produtos elétricos e em dois meses já estava no top 5 de emplacamentos de BEVs. Agora, antes de completar seis meses de operação, anuncia seu primeiro híbrido plug-in no país — e com uma carta na manga que poucos esperavam: produção nacional confirmada, na mesma fábrica da Renault que montou boa parte dos carros mais vendidos do Brasil nos últimos anos.
O EX5 EM-i chega para disputar exatamente o segmento mais quente do mercado eletrificado brasileiro: o dos SUVs médios PHEV entre R$ 180 mil e R$ 250 mil, onde hoje reinam BYD Song Plus, GWM Haval H6 e Jetour S06. A diferença é que nenhum deles tem produção nacional confirmada para 2026.
O que é o EX5 EM-i e como ele funciona
O “EM-i” é a tecnologia de trem-de-força híbrido plug-in da Geely — concorrente direto do sistema DM da BYD. O motor 1.5 aspirado a gasolina atua principalmente como gerador para as baterias, enquanto o propulsor elétrico dianteiro de 238 cv é quem efetivamente move o carro. A transmissão é uma DHT (Dedicated Hybrid Transmission) desenvolvida para gerenciar as trocas entre os dois sistemas com transições suaves.
O resultado prático: 120 km de autonomia 100% elétrica e até 1.420 km de alcance total combinando as duas fontes de energia — pelo ciclo CLTC. Para quem mora em cidade e carrega o carro em casa, o motor a gasolina pode passar semanas sem ser acionado. Para quem roda muito em estrada, a autonomia combinada elimina qualquer preocupação com postos de recarga.
📊 Ficha técnica — Geely EX5 EM-i (dados confirmados)
* Motor: 1.5 aspirado a gasolina + motor elétrico dianteiro
* Potência combinada: 238 cv e 26,7 kgfm
* Tração: dianteira (FWD)
* Transmissão: DHT (dedicada para híbridos)
* Autonomia elétrica: 120 km (ciclo CLTC)
* Autonomia total: 1.420 km (ciclo CLTC)
* Recarga DC: até 36 kW — 30% a 80% em 20 minutos
* 0–100 km/h: 7,5 segundos
* Comprimento: 4.740 mm | Entre-eixos: 2.750 mm
* Porta-malas: 528 litros
* Produção nacional: 2º semestre de 2026 — São José dos Pinhais (PR)
Produção nacional: o diferencial que muda o jogo
A parceria Geely–Renault prevê R$ 3,8 bilhões em investimentos até 2027 na fábrica do Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR). O EX5 EM-i será o primeiro híbrido a sair dessa linha de montagem — e o modelo inaugural de uma nova fase industrial da planta paranaense.
O plano é lançar o carro importado ainda no primeiro semestre de 2026, coletar feedback do mercado e iniciar a produção nacional no segundo semestre. Essa sequência é idêntica à que a BYD usou com a fábrica de Camaçari — e que funcionou.
O impacto prático da produção local é duplo: reduz exposição à variação cambial (o dólar alto encarece qualquer importado) e permite enquadramento nas regras do Mover, o programa federal que concede incentivos fiscais para veículos eletrificados com conteúdo nacional. Traduzindo: carro mais barato ou com mais margem para a montadora. Em geral, os dois.
Para contextualizar: o BYD Song Plus e o GWM Haval H6 também caminham para produção nacional, mas nenhum dos dois tem o EX5 EM-i por perto em termos de prazo confirmado com fábrica operando. A Geely entra nesse jogo com infraestrutura pronta — literalmente herança da Renault.
Frente a frente: EX5 EM-i vs. concorrentes diretos
O mercado de SUVs PHEV no Brasil tem dois líderes consolidados: o BYD Song Plus e o GWM Haval H6 PHEV. Ambos têm boa reputação, rede em formação e base de clientes satisfeitos. O que o EX5 EM-i traz de diferente?
Autonomia elétrica maior: os 120 km do EX5 EM-i superam os 80–100 km do Song Plus e os 60 km do Haval H6 PHEV. Alcance total declarado de 1.420 km também é superior aos ~1.000 km do Song Plus no modo combinado. Porta-malas de 528 litros, acima de qualquer rival direto nessa faixa. E a herança de equipamentos da versão elétrica, que já vem com tela de 15,4 polegadas, HUD de 13,8 polegadas e 13 sistemas ADAS.
O ponto de atenção é a tração: o EX5 EM-i é exclusivamente dianteiro (FWD). O Song Plus PHEV oferece AWD nas versões de maior potência. Para quem prioriza tração integral, isso é argumento válido do outro lado.
Preço oficial ainda não foi divulgado. A estimativa do mercado aponta para a faixa de R$ 180 mil a R$ 220 mil — o que o colocaria abaixo ou empatado com o Song Plus e com margem para brigar de frente com o Haval H6.
BBB26, Renault e a estratégia de quem chegou para ficar
A Geely é patrocinadora oficial do Big Brother Brasil 2026 — e o EX5 EM-i deve ser apresentado ao grande público dentro do programa antes do lançamento oficial. É uma jogada de marketing que a BYD não fez, e que conecta a marca a um público muito mais amplo do que o nicho de entusiastas de elétricos.
A estrutura de distribuição também é um ativo pouco comentado: a Geely opera no Brasil como Renault Geely do Brasil, o que significa acesso à rede de concessionárias e serviços da Renault — uma das mais capilarizadas do país. O desafio de rede de pós-venda que prejudicou outras marcas chinesas na chegada ao Brasil é, para a Geely, substancialmente menor.
Em janeiro de 2026, o EX2 já era o 3º elétrico mais vendido do país com apenas dois meses de operação. O EX5 elétrico lidera o segmento de C-SUVs elétricos. A Geely não chegou para testar o mercado — chegou para ficar. O EX5 EM-i é o próximo passo de uma estratégia que está funcionando.
O que isso significa para o mercado
Pela primeira vez, o segmento de SUVs híbridos plug-in no Brasil vai ter um produto com produção nacional, autonomia elétrica de 120 km e preço estimado abaixo de R$ 220 mil chegando antes do meio do ano. Isso muda o cálculo para quem ainda estava na dúvida entre um PHEV e um carro a combustão convencional.
Com 1.420 km de alcance total, o EX5 EM-i também encerra a conversa sobre “e se eu precisar rodar muito?”. Brasília a São Paulo ida e volta — sem parar para abastecer ou recarregar. Esse é o nível de autonomia que transforma a intenção de compra em decisão.
O Song Plus vai precisar de uma boa resposta.
Fontes:











