Fevereiro é especialmente expressivo porque veio 5% acima de janeiro
Fevereiro tem Carnaval, menos dias úteis e historicamente é um dos meses mais fracos para o mercado automotivo. Ainda assim, os eletrificados fecharam o segundo mês de 2026 com 24.885 emplacamentos — alta de 92% sobre fevereiro de 2025, quando foram vendidas 12.988 unidades. A participação de mercado chegou a 14% das vendas totais de veículos leves, o dobro da fatia de um ano atrás (7%). No acumulado do primeiro bimestre, já são 48.591 unidades, crescimento de 90% sobre os 25.544 do mesmo período de 2025. Os dados são da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
O número de fevereiro é especialmente expressivo porque veio 5% acima de janeiro — mês que, por ser o primeiro do ano com demanda represada de fim de dezembro, costuma ser naturalmente mais forte. Crescer sobre janeiro em fevereiro, com Carnaval no meio, é o tipo de dado que indica que o crescimento não é sazonal: é estrutural. “2026 será o melhor ano da eletromobilidade no Brasil”, afirmou Ricardo Bastos, presidente da ABVE, que projeta mais de 280 mil emplacamentos até dezembro — 25% acima do recorde de 224 mil registrado em 2025.

O mix: BEV e PHEV empatam, HEV Flex surpreende
O dado mais relevante do mix de fevereiro é o equilíbrio inédito entre BEV e PHEV. Os 100% elétricos somaram 8.703 unidades (35% do total), enquanto os híbridos plug-in ficaram em 8.393 (34%) — uma diferença de apenas 310 unidades. Pela primeira vez desde que os PHEV assumiram a liderança em 2024, os elétricos puros chegam tão perto dos plug-in. O crescimento dos BEV em relação a fevereiro de 2025 foi de 94%, reflexo direto da consolidação do BYD Dolphin Mini como fenômeno de vendas.
A outra surpresa do mês foi o HEV Flex, que sozinho somou 3.960 unidades — crescimento de 170% sobre fevereiro de 2025. Os híbridos flex, que combinam motor elétrico com combustão a etanol ou gasolina sem necessidade de recarga externa, cresceram 15% sobre janeiro. O pano de fundo é a isenção de IPVA para essa tecnologia em São Paulo, que funciona como um desconto permanente no custo de propriedade do veículo e vem impulsionando especialmente os modelos da Toyota e da BYD com sistema flex. Somados com os HEV convencionais (3.829 unidades), os híbridos sem plug responderam por 31% de todo o mercado eletrificado do mês.
Ranking BEV: BYD domina, Geely e GM aparecem
No segmento de 100% elétricos, a BYD manteve domínio absoluto com 77,6% de participação — cerca de 6.750 das 8.703 unidades vendidas. O Dolphin Mini liderou com folga, com 4.874 emplacamentos, o que representa 56% de tudo que foi vendido na categoria no mês. O Dolphin convencional ficou em segundo (1.193 unidades) e o BYD Yuan Pro fechou o pódio (447 unidades), tornando a marca de Shenzhen a única com três modelos no top 3 de elétricos puros.
Na sequência vieram o Chevrolet Captiva EV (233 unidades) e o Geely EX5 (229 unidades) — este último com crescimento expressivo desde seu lançamento no fim de 2025. O GWM Ora 03 registrou 226 unidades, o Geely EX2 somou 193 e o Chevrolet Spark ficou com 159. O Volvo EX30 fechou o top 9 com 151 unidades. A Geely, com dois modelos no top 6 (EX5 e EX2), consolida posição como segunda maior marca de elétricos puros no Brasil, emplacando 5,8% do segmento — ainda muito distante da BYD, mas com trajetória ascendente clara.

Ranking híbridos: Haval H6 segura a liderança, mas BYD e Toyota pressionam
Entre os híbridos (PHEV + HEV), o GWM Haval H6 liderou com 3.025 unidades — número que consolida o SUV da GWM como o híbrido mais vendido do Brasil pelo segundo ano consecutivo. Na sequência veio o Toyota Corolla Cross Hybrid com 2.287 emplacamentos, retomando a segunda posição que havia perdido em janeiro. O BYD Song Pro fechou o pódio com 1.979 unidades.
O Toyota Corolla HEV ficou em quarto lugar com 1.345 unidades — o sedã médio mantém relevância consistente entre compradores que querem híbrido sem plug e com histórico de confiabilidade comprovado. Em quinto veio o Omoda 5 com 1.179 unidades, estreia impressionante para um modelo que chegou há poucos meses ao Brasil. O BYD King registrou 907 unidades (sexto), seguido pelo Jaecoo 7 com 458 (sétimo) e pelo GWM Tank 300 com 423 (oitavo). Fecharam o top 10 o Toyota Yaris Cross Hybrid, com 328 unidades em seu primeiro mês completo de entregas, e o Toyota RAV4 Hybrid com 299.
Vale notar que o ranking de híbridos do portal Mundo do Automóvel para PCD — que consolida PHEV e HEV juntos pelo total de emplacamentos ABVE — coloca o BYD Song (somando as versões Plus 2027 e Pro) em primeiro lugar geral entre todos os eletrificados do mês, com 3.702 unidades e 23% de participação entre os híbridos analisados. Dependendo da metodologia de agrupamento adotada (modelo único vs. família), o Song pode ser considerado o eletrificado mais vendido de fevereiro à frente até do Haval H6.
As novidades do mês: Yaris Cross estreia e Omoda 5 já está no top 5
Dois modelos merecem atenção especial pelo que representam para o futuro do mercado. O Toyota Yaris Cross Hybrid começou as entregas em meados de fevereiro e já registrou 328 unidades — resultado significativo para um modelo em rampa de produção. O SUV compacto chega como o único híbrido flex da categoria (combina gasolina e etanol com sistema elétrico), o que o posiciona de forma única no mercado brasileiro. As versões são XRE Hybrid (R$ 172.390) e XRX Hybrid (R$ 189.990). Para março e abril, com a rede já abastecida e a demanda reprimida das reservas sendo atendida, o volume deve crescer consideravelmente.
Já o Omoda 5 HEV entrou direto no top 5 de híbridos com 1.179 unidades — número que supera o de muitos modelos estabelecidos há mais tempo no mercado. O SUV compacto da Omoda & Jaecoo (braço global da Chery) traz sistema híbrido HEV autorrecarregável com motor 1.5 turbo e motor elétrico de 224 cv combinados, consumo de 15,1 km/l na cidade e autonomia declarada de 1.000 km com tanque cheio. Parte de R$ 159.990 — abaixo do Yaris Cross híbrido — e disputa diretamente o segmento de SUVs compactos eletrificados que até pouco tempo tinha poucas opções abaixo de R$ 200 mil.

Onde os eletrificados mais crescem: Sudeste ainda lidera, mas interior avança
Regionalmente, o Sudeste concentrou 45,4% das vendas de eletrificados em fevereiro, com 11.299 unidades. Sul (4.504), Nordeste (4.291), Centro-Oeste (3.873) e Norte (918) completam o mapa. Entre os estados, São Paulo liderou com 7.690 unidades (30,9% do total nacional), seguido pelo Distrito Federal (2.223), Paraná (1.643), Minas Gerais (1.586) e Santa Catarina (1.475). No bimestre, Minas Gerais acumula 3.311 unidades — crescimento de 76% sobre o mesmo período de 2025 — consolidando-se como terceiro maior mercado do país, atrás de São Paulo (14.757) e Distrito Federal (4.174).
Um dado que merece atenção é a infraestrutura de recarga: segundo a ABVE, o Brasil tinha cerca de 16.880 eletropostos no fim de 2025, mas em fevereiro esse número já havia avançado para 21 mil pontos de recarga — alta de 24,7% em poucos meses. O crescimento da infraestrutura começa a acompanhar, em parte, o ritmo da frota. Ainda assim, com 613 mil veículos eletrificados em circulação, a relação continua sendo de aproximadamente um eletroposto para cada 29 veículos — número que pressiona especialmente quem mora em apartamento e depende de recarga pública ou condominial. A lei paulista 18.403/2026, sancionada em fevereiro, que garante ao condômino o direito à instalação de carregadores em edifícios, é um passo concreto para reduzir essa barreira no maior mercado do país.
O que esperar de março
Março entra com alguns fatores favoráveis: mais dias úteis, rede de concessionárias com estoques repostos após o Carnaval e a consolidação das entregas do Yaris Cross e do BYD Song Plus 2027, lançado no início de março. A pressão do imposto de 35% em julho mantém o senso de urgência no comprador que está em processo de decisão — especialmente nos modelos importados. Se o ritmo de crescimento do bimestre se mantiver, o Brasil está no caminho para fechar 2026 bem acima da projeção de 280 mil unidades da ABVE.











