A BYD atualizou a perua esportiva premium da Denza com bateria Blade de 122,5 kWh e declarou o Z9 GT o veículo 100% elétrico de maior autonomia do mundo. São 1.036 km com uma única carga — 64% a mais que a geração anterior. O carro já chegou ao Brasil por R$ 650 mil.
Por muito tempo, a barreira dos 1.000 km de autonomia elétrica foi tratada como meta filosófica — o número que provaria de vez que a “ansiedade de autonomia” é conversa fiada. A BYD acaba de cruzar essa linha com o Denza Z9 GT atualizado: 1.036 km declarados pelo ciclo oficial do governo chinês (CLTC) com uma única carga. A marca não usou linguagem cautelosa. Declarou, diretamente, que o Z9 GT é o veículo elétrico puro de maior autonomia do mundo.
O anúncio foi feito em 27 de fevereiro de 2026. O lançamento oficial da versão atualizada está previsto para 5 de março de 2026.
De 630 km para 1.036 km: o que mudou
O Z9 GT da geração anterior já era referência no segmento: três motores elétricos, 965 cv, 0–100 km/h em 3,4 segundos, carroceria shooting brake de 5,18 metros. A bateria de 101,1 kWh entregava 630 km pelo CLTC — bom número, longe de recorde.
A BYD resolveu de forma direta: aumentou a bateria. A versão principal passa a usar um pack Blade de 122,5 kWh, fabricado internamente. Existe ainda uma opção de 102,3 kWh, com 820 km de alcance. No total, a linha BEV atualizada oferece cinco faixas de autonomia dependendo da configuração de bateria e tração: 820 km, 860 km, 880 km, 1.002 km e 1.036 km.
O salto de 630 para 1.036 km representa +64% de alcance em uma única geração — e 460 km a mais na mesma categoria de produto.
Mais bateria, mais potência — ao mesmo tempo
Quando um fabricante aumenta o pack de bateria para ganhar autonomia, a pergunta natural é: e o desempenho? No Z9 GT atualizado, a potência também subiu.
A versão trimotor AWD (tração integral) entrega agora 850 kW — 1.140 cv, contra 965 cv da geração anterior. São 175 cv a mais sem abrir mão de nenhum quilômetro de alcance. A velocidade máxima subiu de 240 para 270 km/h. A aceleração de 0–100 km/h permanece em 3,4 segundos — patamar de superesportivo.
A versão nova de entrada é RWD (tração traseira), com motor único de 370 kW (496 cv), velocidade máxima de 240 km/h e alcance de 820 km com a bateria de 102,3 kWh. Uma opção para quem quer a autonomia sem a potência extrema — ou o preço dela.
📊 Ficha técnica — Denza Z9 GT 2026 (versão BEV AWD trimotor)
* Motores: 1 dianteiro (308 cv) + 2 traseiros (416 cv cada)
* Potência combinada: 1.140 cv (850 kW)
* Bateria Blade: 122,5 kWh (opção: 102,3 kWh)
* Autonomia CLTC: 1.036 km (cinco faixas de 820 a 1.036 km)
* Aumento vs. geração anterior: +64% (+406 km)
* 0–100 km/h: 3,4 segundos
* Velocidade máxima: 270 km/h
* Carregamento DC: até 166 kW (150 km em 10 minutos)
* Comprimento: 5.195 mm | Entre-eixos: 3.125 mm
* Porta-malas: 488 L + 53 L (frunk)
Tecnologia além da bateria
Autonomia de 1.036 km não acontece só porque a BYD colocou um pack maior. A empresa tem controle verticalizado de toda a cadeia — da célula Blade ao software de gestão energética —, o que permite integrar ganhos de eficiência que fornecedores externos raramente entregam com a mesma velocidade.
A versão atualizada estreia o God’s Eye 5.0 (DiPilot 300): ADAS avançado com LiDAR reposicionado no teto, dois radares infravermelhos, 12 radares ultrassônicos e 14 câmeras. O sistema permite navegação semiautônoma em cidade e rodovias, além de manobras de desvio automático de emergência. Em estradas bem sinalizadas, o carro opera sem intervenção do motorista em qualquer velocidade.
Outros recursos: eixo traseiro esterçante em até 20 graus, modo “caranguejo” (deslocamento lateral), suspensão pneumática adaptativa, rotação de 360 graus sobre o próprio eixo, sistema de som Devialet com 26 alto-falantes e interior com tela central de 17,3 polegadas acompanhada de dois displays de 12,3 polegadas para motorista e passageiro. Há também um sistema de segurança que mantém o controle do veículo após o estouro de um pneu a até 140 km/h — e memória dos últimos 100 metros percorridos, com capacidade de refazê-los automaticamente em ré.
A versão PHEV também recebeu atualização expressiva: a bateria elétrica quase dobrou, de 33 para 63,8 kWh, garantindo mais de 400 km em modo 100% elétrico. Com o motor 2.0 turbo de 207 cv somado a três elétricos (870 cv combinados), a autonomia total ultrapassa 1.100 km com o tanque cheio.
Vale o recorde — e a polêmica também
Há uma nuance interessante nos documentos de homologação do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT): o sedã Z9 convencional, com os mesmos packs de bateria, aparece com alcance de até 1.068 km — mais do que o GT. A Denza não divulgou esse dado como recorde global e optou por destacar o Z9 GT, o modelo mais esportivo e visível da linha.
A escolha revela estratégia: o GT tem mais apelo de imagem e é o modelo que chega à Europa e ao Brasil. Mas significa que o recorde real da família Denza é 1.068 km, não 1.036 km. Detalhe relevante para quem acompanha a corrida pela maior autonomia do mundo.
Outra ressalva legítima: os 1.036 km são medidos pelo ciclo CLTC, padrão chinês reconhecidamente mais otimista do que o europeu WLTP ou o brasileiro Inmetro. Em condições reais — ar-condicionado ligado, rodovias com velocidade variada, topografia — o alcance efetivo será menor. Isso vale para qualquer carro elétrico, não é exclusividade do Z9 GT.
Mesmo com esses descontos, os números continuam impressionantes. O Lucid Air Touring, que detinha o recorde entre os elétricos por ciclo WLTP com 960 km, foi ultrapassado em autonomia declarada. O Mercedes EQS, referência no segmento premium europeu, entrega até 700 km pelo WLTP. O Porsche Taycan fica abaixo de 600 km. O Z9 GT está em outro patamar — mesmo aplicando um desconto conservador ao CLTC.
No Brasil, por R$ 650 mil — e com versão mais potente a caminho
A Denza iniciou operações no Brasil em 2025 com o SUV B5. O Z9 GT estreou no Salão do Automóvel de São Paulo e a primeira entrega simbólica foi feita ao ex-piloto Felipe Massa em fevereiro de 2026, na concessionária Denza Jardins, em São Paulo. As entregas comerciais ao público geral estão previstas para o primeiro trimestre de 2026, com preço de R$ 650 mil.
A versão que chega ao Brasil usa as especificações da geração anterior: 965 cv, bateria de 100 kWh, 630 km de autonomia pelo ciclo chinês. A versão atualizada com 1.036 km ainda não tem prazo confirmado para o mercado nacional.
Para contextualizar o preço: R$ 650 mil é próximo do Porsche Panamera de entrada no Brasil — um sedã a combustão que não chega perto dos 1.036 km rodando num tanque de gasolina. O Audi e-tron GT parte de valores similares. O Mercedes EQS fica bem acima. O Z9 GT não está pedindo desconto para entrar nesse segmento.
A ansiedade de autonomia acabou de perder mais um argumento.
Fontes:











