BYD quer cinco picapes no Brasil — e a primeira chega ainda este ano

 A primeira, rival da Fiat Toro, chega em 2026. A rival da Strada vem em 2027, e há mais duas acima da Shark.

A BYD vendeu 1.133 unidades da Shark em 2025. É um número modesto para uma picape que chegou prometendo mudar o segmento. A marca sabe disso — e a resposta não é ajustar a Shark. É lançar mais quatro picapes por cima dela.

O plano foi confirmado pelo vice-presidente da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, em entrevista à Autoesporte publicada nesta semana. A marca criou uma equipe dedicada exclusivamente a picapes e trabalha com a possibilidade de ter até cinco modelos desse tipo à venda no país nos próximos anos. Todas serão híbridas plug-in ou elétricas. Sem diesel. Sem híbrido pleno. Sem híbrido leve.

Cinco picapes eletrificadas é um portfólio completo, não um teste. E a primeira delas já foi flagrada em testes no Brasil.

A intermediária chega em 2026 — e já foi vista nas ruas

A picape mais próxima do lançamento é a intermediária, rival direta de Fiat Toro, Ford Maverick e Ram Rampage. Flagrada em testes em Iracemápolis (SP) — ironicamente, próximo à fábrica da GWM —, ela já está com desenvolvimento avançado e lançamento previsto para 2026, com produção na fábrica de Camaçari (BA).

A base é o SUV Song Plus. A BYD vai aproveitar plataforma, trem de força e parte da estrutura já em produção no Brasil para montar a picape — uma estratégia que reduz risco industrial e acelera o cronograma. Nos flagras, a frente lembra o Song Plus e a traseira adota a linguagem da Shark. A construção é monobloco, como a Toro e a Maverick, priorizando conforto e dirigibilidade urbana sobre robustez de chassi separado.

A motorização deve ser a mesma do Song Plus GS: motor 1.5 aspirado de quatro cilindros combinado ao elétrico, com potência que pode chegar a 235 cv. O sistema DM-i é plug-in, então a picape poderá ser recarregada em tomada. Opções de tração 4×2 e 4×4 são esperadas.

A rival da Strada vem em 2027 — e será flex

A picape compacta, voltada para concorrer com a Fiat Strada, está em estágio mais inicial mas já é tratada como prioridade global pela marca. Um mocape — representação visual estática do carro — já foi apresentado internamente na China, e os testes com protótipos reais devem começar em breve. O lançamento está previsto para 2027.

Essa será a primeira picape da BYD com motor híbrido flex. O conjunto esperado é o 1.5 DM-i aspirado, o mesmo que equipa Song Pro, Song Plus e King, adaptado para funcionar com etanol — a mesma tecnologia que a BYD já confirmou para o Song Pro linha 2027. Para o mercado brasileiro, a capacidade de abastecer com etanol pode ser mais decisiva do que qualquer argumento de autonomia elétrica, especialmente no interior e nas frotas agro que consomem a Strada aos milhares.

A Strada vendeu quase 143 mil unidades apenas em 2025. É o carro mais vendido do Brasil há quatro anos seguidos. A BYD sabe que entrar nesse segmento com eletrificada importada e cara seria missão suicida. Por isso a produção será nacional, em Camaçari, como pré-requisito para ter preço competitivo.

As outras duas: acima da Shark

O plano de Baldy prevê ainda uma picape média para disputar com Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10 — mercado que a Shark nunca conseguiu alcançar — e uma grande, de porte comparável a Silverado, F-150 e Ram 1500. Ambas serão eletrificadas, mas os detalhes de plataforma, motorização e cronograma não foram divulgados.

Vale o contexto: a Shark, hoje tabelada em R$ 344.990, vendeu pouco porque o consumidor brasileiro de picape média — agropecuário, frotista, usuário misto — ainda não tem infraestrutura de recarga nas propriedades e não está convencido de que uma picape plug-in substitui o diesel no uso real. A BYD entendeu o recado e, nas próximas versões acima da Shark, provavelmente vai ter que entregar argumentos diferentes dos que usou até agora.

O que isso significa para quem já tem um BYD

Se você já é dono de Song Plus, Song Pro ou King, a notícia tem um significado direto: a BYD está apostando que o trem de força que equipa o seu carro é bom o suficiente para sustentar uma família inteira de picapes. Isso é positivo para a maturidade da tecnologia e, em tese, para a oferta de peças e serviço à medida que a escala aumenta.

Para quem está de olho numa picape eletrificada e não quer a Shark — pelo tamanho, pelo preço ou pela vocação mais urbana da Toro e da Maverick —, 2026 começa a desenhar uma resposta concreta. A picape intermediária da BYD deve chegar antes do fim do ano.

A meta da marca é ambiciosa: tornar-se uma das três maiores montadoras do Brasil até 2028, com cerca de 350 mil unidades anuais. Em 2025, foram 112.915. Para triplicar o volume em três anos, a BYD vai precisar exatamente desse tipo de produto — picapes nacionais, eletrificadas e com preço que o mercado de massa consiga alcançar. O plano existe. A equipe foi formada. A picape intermediária está nas ruas em testes.

O Brasil vai descobrir ainda em 2026 se a BYD acertou a fórmula.

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