A contagem regressiva está em 16 dias.
No dia 25 de março, a CAOA Changan realiza o lançamento oficial do Uni-T no Brasil — o primeiro modelo da marca produzido em solo nacional e o SUV de estreia de mais uma joint venture sino-brasileira no mercado local.
O Uni-T não é exatamente um desconhecido. O SUV foi apresentado ao público brasileiro no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro de 2025, quando a CAOA Changan anunciou oficialmente sua chegada ao país. Desde então, mais de 100 protótipos rodaram no Brasil em testes que somaram mais de 200 mil km — para ajustes de calibração local, segundo a própria marca. O modelo foi flagrado dezenas de vezes nas ruas de São Paulo e de outras cidades.
Mas preço, versões e lista de equipamentos permanecem sob embargo até o evento do dia 25. O que já se sabe — e o que ainda é estimativa — é o que a gente organiza aqui.

Uma nova marca — mas com operação conhecida
A CAOA Changan é uma joint venture entre o Grupo CAOA e a montadora chinesa Changan. Um ponto importante: Chery e Changan não têm qualquer relação técnica ou societária entre si na China. São empresas completamente independentes. O que as une no Brasil é o guarda-chuva operacional do Grupo CAOA, que compartilha a fábrica de Anápolis (GO) para produzir os dois portfólios.
Essa mesma planta em Anápolis — que já montou veículos Hyundai no passado e hoje produz os SUVs Chery — passará a receber também os modelos Changan. O grupo investiu R$ 3 bilhões na modernização da unidade, que dobrou sua capacidade para 160 mil veículos por ano. O objetivo declarado é produzir ao menos três modelos Changan em Anápolis e alcançar 8% de participação no varejo com as duas marcas até o fim de 2026.
Para o consumidor, o que isso significa na prática: rede de concessionárias, peças e pós-venda já organizados antes do lançamento — uma vantagem que outras marcas chinesas levaram meses para construir depois de chegar ao país.
O design: o traço mais provocativo do segmento médio
O Uni-T é um SUV cupê. O estilo é o traço mais marcante: linhas vincadas, roofline inclinado, grade tridimensional com 150 elementos em formato de diamante, faróis afilados em LED e aerofólio traseiro proeminente. É um visual que escapa do padrão ainda conservador do segmento médio brasileiro.
As dimensões são de SUV médio completo: 4,51 m de comprimento, 1,87 m de largura, 1,56 m de altura e entre-eixos de 2,71 m. Para comparação, o Jeep Compass mede 4,44 m de comprimento e o Toyota Corolla Cross, 4,46 m — o Uni-T é maior nos dois. A altura mais baixa, típica do estilo cupê, não compromete o espaço interno: o entre-eixos de 2,71 m garante boa acomodação para cinco ocupantes.
O interior segue a tendência tecnológica das marcas chinesas atuais. As versões internacionais trazem duas telas de 10,3 polegadas integradas formando um único conjunto — quadro de instrumentos digital e central multimídia lado a lado. A imprensa que visitou as instalações da Changan na China descreveu o acabamento como de boa qualidade, com bancos em couro e ar-condicionado automático de duas zonas.

A mecânica: flex de largada, sem eletrificação
O motor confirmado para o Brasil é o 1.5 turbo flex de quatro cilindros, com câmbio de dupla embreagem de sete marchas e tração dianteira. A calibração para etanol é uma adaptação desenvolvida em parceria entre a engenharia brasileira da CAOA e os técnicos da Changan — e o Uni-T já nasce com flex, ao contrário de outras marcas chinesas que chegaram ao Brasil primeiro e adaptaram o motor depois.
Segundo Jan Telecki, diretor de marketing da CAOA, o motor entrega 180 cv e 30,6 kgfm de torque. Esses números superam rivais diretos como o Jeep Compass (176 cv / 27,5 kgfm) e o Volkswagen Taos (150 cv / 25,5 kgfm). A aceleração de 0 a 100 km/h fica abaixo de 8 segundos, com velocidade máxima em torno de 200 km/h. Suspensão independente nas quatro rodas com eixo traseiro multilink e freios a disco em todas as rodas completam o conjunto.
Não há eletrificação nesta versão de lançamento — sem híbrido, sem plug-in, sem REEV. A CAOA confirma que versões eletrificadas fazem parte dos planos futuros da marca no Brasil, mas o Uni-T estreia apenas com o trem-de-força a combustão.
O que ainda não foi revelado
A marca manteve três informações centrais sob embargo até o dia 25:
Preço
A única referência oficial é o posicionamento declarado pelo diretor de marketing da CAOA: entre o Tiggo 7 Sport (R$ 142.990) e o Tiggo 8 de entrada (R$ 196.990). A imprensa especializada estima o valor em torno de R$ 160 mil, mas esse número não tem confirmação da marca.
Versões
Quantas serão, o que diferencia cada uma e se haverá alguma versão de entrada mais enxuta ainda não foi divulgado.
Equipamentos de série
A lista conhecida vem das versões internacionais do modelo — e inclui maçanetas retráteis, teto solar panorâmico, bancos com ajuste elétrico e aquecimento, câmera 360° e pacote ADAS com frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo e assistente de manutenção de faixa. O que estará de série no Brasil e em qual versão só será confirmado no evento do dia 25.
Quem o Uni-T enfrenta
O SUV médio é o segmento mais competitivo do Brasil em 2026. Do lado tradicional: Jeep Compass, Toyota Corolla Cross e Volkswagen Taos. Do lado eletrificado: BYD Song Plus (R$ 249.990), GWM Haval H6 PHEV (R$ 288.000) e Renault Boreal, que estreia em abril. Em relação a todos eles, o Uni-T chega com dois argumentos claros: design mais ousado e, possivelmente, preço mais baixo para um nível de equipamento comparável.
O desafio é que os rivais eletrificados chegam com o argumento do consumo menor no dia a dia. O Uni-T aposta que há um mercado relevante para um SUV médio bem equipado, de visual diferenciado e com flex — sem o custo extra de um sistema híbrido. Se a estratégia funcionar, pode repetir o que o Tiggo 5X fez no segmento compacto: entrar com preço competitivo e lista de equipamentos acima da média e construir volume rapidamente.

O que vem depois
Com o Uni-T lançado, a CAOA Changan deve acelerar os próximos passos. O CS55 — SUV um pouco maior e mais alto, também com motor 1.5 turbo mas em perfil mais convencional — já foi flagrado em testes no Brasil e deve ser o segundo lançamento da marca. O CS75 e modelos eletrificados entram no horizonte de médio prazo. A meta de 50 lojas até o fim de 2026 já está em andamento: a primeira concessionária oficial da CAOA Changan no Brasil está em obras.
O que o leitor do EletroMob precisa saber antes do dia 25
O Uni-T é um carro a combustão entrando num segmento que cada vez mais se eletrifica. Isso não é necessariamente um problema — o mercado de SUVs médios flex ainda é enorme no Brasil. Mas é o contexto certo para avaliar a proposta.
- Flex de largada: diferencial real — nenhuma outra chinesa estreou assim no segmento médio
- Produção nacional desde o início: sai da fábrica de Anápolis, não é importação
- Motor mais potente que Compass e Taos: 180 cv / 30,6 kgfm confirmados
- Sem eletrificação: quem busca PHEV ou elétrico vai ter que esperar os próximos modelos da marca
- Rede já estruturada: operação montada pela CAOA antes do lançamento — o mesmo modelo que funcionou com a Chery
- Preço e versões: só no dia 25 — os R$ 160 mil circulam na imprensa, mas não são oficiais
Voltamos no dia 25 com preço, versões e tudo que for revelado no lançamento.
Resumo do que se sabe
- Motor: 1.5 turbo flex, 180 cv / 30,6 kgfm
- Câmbio: dupla embreagem, 7 marchas, tração dianteira
- 0–100 km/h: menos de 8 segundos
- Dimensões: 4,51 m × 1,87 m × 1,56 m, entre-eixos 2,71 m
- Produção: Anápolis (GO)
- Eletrificação: nenhuma no lançamento
- Preço: entre R$ 142.990 e R$ 196.990 (posicionamento oficial) — valor exato revelado no dia 25
- Lançamento: 25 de março de 2026











